As melhores cervejas do mundo (temos uma clara vencedora)

Qual é a melhor cerveja do mundo? Certamente você já se perguntou isso alguma vez na sua vida. Pois bem, a resposta simples é que não existe resposta simples! A cerveja mais gostosa para você talvez não seja do agrado de seus amigos e vice-versa. Existem cervejas bastante diferentes e, principalmente, com filosofias diferentes!

Existem quatro grandes tradições cervejeiras, três na Europa e a dos Estados Unidos. Cada um tem um tipo favorito de cerveja que vai ao encontro com o seu gosto – você pode ser mais fã da escola alemã (mais tradicional) e um amigo pode gostar mais das cervejas belgas, que são mais frutadas. Vamos entender a diferença de cada uma dessas escolas e descobrir qual a melhor cerveja para o seu paladar?

Escola alemã

A Alemanha é o sinônimo de cerveja para muita gente e com um excelente motivo: lá as cervejas são realmente gostosas e feitas da mesma maneira desde… muito tempo atrás. Isso por conta da lei de pureza do Sacro Império Romano, a Reinheitsgebot, de 1516 (sim, você não leu errado) e que foi abandonada apenas por volta dos anos 1980. Essa lei determinava que cervejas só poderiam ser feitas dentro do território Imperial (que incluía toda a Alemanha, Áustria e República Tcheca), com água, malte e lúpulo. Leveduras foram adicionadas depois.

Isso deu origem às cervejas “Lager” (de baixa fermentação), que é o estilo mais consumido no planeta, e que tem sub-estilos famosos como Pilsen (mais sobre isso daqui a pouco), Bock, Dunkel, Rauchbier, Schwarzbier. Cervejas tradicionais de massa são “lagers”: Brahma, Corona, Budweiser, Heineken, Amstel, Original. Todas elas muito diferentes uma das outras, certo?

As mais tradicionais são da denominação “Pilsen”, um nome que você já deve ter encontrado escrito nas mais variadas cervejas, correto? Esse nome representa uma cidade na República Tcheca, onde nasceu esse estilo. Embora não seja alemã, a tcheca Pilsner Urquell (que significa “Original de Pilsen”) é a maior representação dessa escola – uma cerveja lager clara, bem gostosa e refrescante (os tchecos tomam como água!) e com um gosto forte (para uma Pilsen). É ela quem popularizou o estilo de cerveja na Europa (e depois no mundo). Hoje 90% das cervejas vendidas no mundo são pilsens.

Claro que há outros estilos, como Lagers escuros, cervejas de trigo (que eram uma “exceção” da lei de pureza, mas disponíveis apenas para a nobreza) e outros. Contudo, o estilo que você deve entender como grande representação da Alemanha é realmente o Pilsen.

Dentro dele, você tem várias opções: a própria Pilsner Urquell é uma cerveja muito boa, mas se você estiver na Alemanha, não deixe de experimentar a Berliner Kindl – também uma excelente representação do sabor das cervejas Pilsen. Na América Latina, talvez as melhores sejam Quilmes (Argentina), Patagonia Pilsen (Argentina), Pilsen (Uruguai) e Original (Brasil) – esta última sendo provavelmente a melhor Pilsen que você vai encontrar no mercado brasileiro a preços acessíveis.

Outras lagers populares que você pode encontrar no mercado são Heineken, Stella Artois que são da categoria “Premium Lager”, com mais malte e lúpulo. Entre as alemãs escuras, provavelmente a mais conhecida aqui é a Malzbier, que tem bastante açúcar, xarope e pode ter baixíssimo teor alcoólico.

Talvez a melhor representação e o melhor gosto da Escola Alemã seja realmente a Pilsner Urquell – principalmente em sua versão não-filtrada, que você encontra na República Tcheca. Ela é cara nos mercados brasileiros, podendo ser encontrada por R$ 17,00 em Sâo Paulo por uma garrafa de 500 ml. Mas vale a pena experimentar.

Escola belga

As cervejas belgas são quase tão famosas quanto as alemãs, e inclusive uma das maiores cervejarias do mundo, a Interbrew, era belga – antes de se fundir com a brasileira Ambev e a americana Anheuser-Busch para formar a AB InBev. A sede da empresa, até hoje, fica na Bélgica (na cidade de Leuven), mas a grande maioria das cervejas dela são industrializadas ao extremo (principalmente as do portfólio da Ambev) e não representam direito o que é a escola belga.

O bom das cervejas belgas são as artesanais, ou quase artesanais – aquelas que são produzidas em fábrica, mas que não são feitas em quantidades tão grandes a ponto de “estragar” a experiência. Os Belgas tem um grande orgulho dessas cervejas e é difícil ir até lá e não ter que experimentar dezenas de cervejas diferentes com gostos diferentes. Mas cuidado para não ficar muito bêbado: as cervejas da Bélgica são as que apresentam o maior teor alcóolico, muitas vezes passando dos 10%.

As trapistas, produzidas pelos monges, são consideradas a gema da coroa da escola belga e uma das cervejas mais cultuadas do mundo. Se você gosta verdadeiramente de cerveja, não deixe de prová-la ao menos uma vez na sua vida.

Os estilos mais comuns entre cervejas belgas são: Blonde Ale, Witbier, Dark Ale, Golden Ale, Tripel, Dubbel e Quadruppel. Com 1.600 rótulos diferentes e com todas elas com diferenças muito grandes entre si, fica difícil escolher uma como melhor ou outra – e não há como garantir que uma seja melhor que a outra, já que a escola belga é provavelmente a que tem sabores mais diferentes e passíveis de serem escolhidos por preferências pessoais.

Fique de olho na Westmalle Tripel, uma trapista de alto nível com um gosto muito acentuado de pimentas, frutas e malte – além do álcool, já que ela tem teor álcoolico de 9,5% é bem elevado para uma cerveja. Fique de olho também nas famosas Westvleteren 12 (uma cerveja bem escura, de gosto acentuado) e na avermelhada Amber Bush, conhecidas por serem algumas das melhores do mundo em suas categorias.

No mais, há dezenas de outras cervejas que você pode experimentar: apenas tente concentrar em uma característica que você gosta e você encontrará uma cerveja belga que a possui facilmente. No Brasil, são todas caras e é difícil degustar uma popularmente, mas a Blue Moon (que é feita nos EUA, mas é de escola belga) é uma boa pedida por ser mais acessível, juntamente com a Hoegaarden.

Escola britânica

Nem só de chá vive o Reino Unido. A terceira das quatro escolas tem uma diferença muito grande: ela é conhecida por aqui principalmente pelas cervejas escuras, como a irlandesa Guinness, que também é da escola britânica, além de outras marcas grandes como a Newcastle. Na moda aqui no Brasil estão as IPAs, que são também de origem britânica. Outros estilos tradicionais são Porter e Stout (caso da Guinness).

Se você gosta de cervejas encorpadas, tome a Guinness, com um sabor forte e acentuado. Ela é uma excelente representação deste sabor, além de ser uma das cervejas mais famosas do mundo – não dá para não provar ao menos uma única vez na vida! Como a bebida é da Diageo atualmente, a dona da Johnny Walker, não é difícil encontrar ela por aqui.

Mas você provavelmente já tomou uma IPA, que significa India Pale Ale, mas cujo nome vem do destino da cerveja e não de sua origem – ou seja, era uma cerveja destinada para chegar na Índia e não uma cerveja indiana. Em períodos coloniais, os ingleses tinham dificuldades de levar a cerveja para lá (que azedavam no caminho) ou de produzir por lá (por conta do clima quente), então inventaram uma cerveja diferente, com teor alcoólico mais alto e uma carga de lúpulo maior, o que fez com que a cerveja chegassem intactas. IPAs Se você quer provar uma boa IPA, tome a Colorado Indica – é nacional, mas com uma qualidade muito boa.

Escola americana

Das grandes escolas, a americana é a mais jovem e menos tradicional, tem gente que nem acredita que a escola americana seja uma escola, de fato. Seu estilo deriva fortemente das outras. Lembra que eu mencionei que a Budweiser é uma cerveja do tipo Lager? Bom, isso é meia-verdade. A Budweiser é uma American Lager, ou seja, uma Lager com características típicas americanas – o carro-chefe da escola americana.

E o que as american lagers possuem de diferente das lagers tradicionais? Menos lúpulo e mais cereais mais baratos que a cevada, como arroz e milho (quando você ouve falar que a Ambev está colocando milho nas cervejas, não é para elas ficarem parecidas com american lagers, ok?). A ideia é baratear o custo de produção, mas também de deixar a bebida mais agradável ao paladar americano, que é mais adocicado. Fazem bastante sucesso por lá, principalmente por serem fáceis de tomar e refrescantes, descem igual refrigerante. A própria Budweiser é um bom exemplo deste estilo.

Existem também as IPAs Americanas, que levam o nome de APA. São significantemente mais cítricas que as britânicas, o que é suficiente para diferenciá-las. Há também as polêmicas Black IPAs, feitas com grãos torrados e escuras – o que é uma contradição do termo, já que o P da sigla significa pale, ou pálidas.

As bebidas americanas costumeiramente são armazenadas em barris de madeira, o que ajudam a ter um gosto mais amadeirado. Outra característica comum é ter sabores frutados nestas cervejas, o que faz com que os Estados Unidos tenham muitas cervejas com inspiração belga – a Blue Moon que eu recomendei aqui é claramente de escola belga, mas com uma pitada de Estados Unidos, já que é feita no Colorado.

E aí? Qual a melhor?

Escolher a melhor cerveja não é fácil, mas agora que a gente já aprendeu um pouquinho sobre as quatro escolas, podemos começar a pensar em um veredito. É claro que é quase impossível decidir uma cerveja específica para você, para o seu gosto específico. Eu não te conheço, nunca vi você.

Mas se eu posso falar uma coisa, as cervejas Lagers não são a maioria do mundo por nada. É o gosto delas que pensamos quando em cerveja. Então vamos tomar elas como base para decidirmos qual é a melhor disponível.

Neste ponto, escolho duas: uma acessível para ser a sua “cerveja do dia-a-dia” e uma para ser uma cerveja de qualidade superior, que você possa tomar em situações muito específicas, quase como que uma cerveja de comemoração – já que ela, no Brasil, pode ser bastante cara.

Entre as acessíveis, três opções: Budweiser, Original e Heineken. Budweiser para um gosto mais leve, Heineken para um mais amargo e Original para um gosto mais original (sem trocadilhos). De fato, essas três representam excelentes opções, mas, para escolher uma, ficaria com a Original, que é a mais tradicional das três em termos de sabor e é a melhor marca nacional.

Entre as cervejas mais caras, para você experimentar, só tem uma opção: Pilsner Urquell, a verdadeira Pilsen e a cerveja mais tradicional do mundo. Você encontra essa cerveja por quase R$ 40 no mercado nacional e esse preço deve subir ainda mais, por conta da recente alta do dólar e do euro. Contudo, essa é uma cerveja que vale a pena experimentar uma vez na vida, se possível, na própria República Tcheca.

Se há uma cerveja que pode falar que é a melhor do mundo, em termos de gosto, tradição e importância histórica, é essa.