O PT está destruindo o país ao entregar o Brasil DE GRAÇA para o Bolsonaro

Vamos começar com uma admissão estranha para alguém de esquerda: eu me diria antipetista, sim. Não a ponto de eliminar a possibilidade de votar no PT contra um mal maior – que é o Bolsonaro -, mas o PT ocupa uma posição ingrata no meu coração. No meu e no coração de muitos brasileiros, cansados do cinismo e práticas anti-democráticas (corrupção é uma delas).

Li recentemente de um amigo petista que não existe “antipetismo” e sim fascismo. Eu acho que essa é a maior besteira que alguém pode proferir: A POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO SE TORNOU FASCISTA DO DIA PARA NOITE! O que vemos é um candidato, que você pode chamar de fascista, que arrebata a população brasileira por conta de uma explosão de antipetismo nos anos depois da crise da Dilma.

Primeiro, o antipetismo é um sentimento muito real e muito antigo. O PT desperta paixão nas pessoas desde a fundação. Nenhum partido brasileiro tem esse poder. E isso cega as pessoas dos dois lados da disputa, como meu amigo.

Negar a existência de um sentimento antipetista é burrice. Existe uma galera incapaz de ver qualquer coisa boa no PT e se aliariam ao capeta (se aliaram, na verdade) para sumir com isso. É fato, é inegável.

Quase ninguém está votando no Bolsonaro por fascismo. O povo brasileiro que vai eleger o candidato do PSL é o mesmo que elegeu o Lula e a Dilma. Não éramos um país “progressista” (nunca fomos, mas chegamos a ser considerados como tal) e caímos na mão do fascismo do nada.O que mudou é que o antipetismo foi, ao longo do governo Dilma, suplantando o petismo como força política dominante no Brasil.

E dane-se a ideologia do antipetista. Pode ser de esquerda, pode ser de direita (como está sendo). O importante é não carregar uma estrela vermelha e posar do lado do Chávez – coisa que acende no brasileiro aquele medo de virar Venezuela. É aquela oposição pela oposição, sabe?

E quem estimulou isso foi o próprio PT, não se enganem. Eles sabiam que era colocar o nome do Lula no ar – como candidato à presidente – para o país entrar em convulsão. E botaram mesmo assim – boicotando a candidatura do Ciro Gomes -, alimentando uma farsa eleitoral para ver se conseguia manter a hegemonia da esquerda nacional. Isso deu tanto errado que o partido agora vê uma derrota clara para o adversário.

O PT tem um plano de poder e segue ele e foda-se se isso vai eventualmente entregar o país ao fascismo – que é o que está acontecendo agora.  Um dos pontos principais sobre isso é que o PT não faz e não concorda com nada que não possa levar o crédito – mesmo que isso venha de um partido de esquerda que nem eles. Não assinaram a constituição, por exemplo, e fizeram o diabo quando eram oposição – geralmente tomando medidas que ele não tomaria se fosse governo ou que condena quando é governo.

E isso é mostra hipocrisia gigante por parte do PT. Foram 8 anos de “Fora FHC” pelas mini-coisas que ele fazia. Aí quando leva um “Fora Lula” ou um “Fora Dilma”, ficam gritando aos quatro cantos que a oposição é suja, que isso é golpe, que os outros partidos não gostam de pobre.

O Ciro teve a postura certa nisso, aliás. Foi contra tanto o impeachment do FHC (se afastou do PT na época) quanto o da Dilma, até mais que o próprio PT – que viu o Haddad falar que golpe era uma palavra forte e dois anos depois abraçou os golpistas. Compromisso democrático com as urnas não começa na sua vitória ou derrota – ela é parte dos seus valores e pronto.

O PT deu o país para o fascismo pois isso satisfazia mais o plano de hegemonia da esquerda que apoiar outro candidato agora, como o Ciro Gomes. E agora eles acusam o próprio Ciro de não estar preocupado com a democracia por não estar fazendo campanha para o Haddad. Ou seja: eles dão de graça o país ao Bolsonaro, boicotam o Ciro (que ganhava do adversário) e agora são eles os preocupados com democracia? Hipocrisia.

Por isso mesmo, os próximos 4 anos são anos de uma guerra de conversão na esquerda – precisamos trazer o máximo de petistas para o PDT. Essa esquerda anti-petista que está se desenhando precisa levar o máximo de amigos petistas para o campo do Ciro Gomes, o melhor candidato que temos para 2022. Expor a contradição do petismo e garantir uma esquerda verdadeiramente preocupada com democracia.

Temos que usar esse sentimento de esquerda cansada com o PT e criar um caminho alternativo. Provavelmente nossas pautas são iguais ou parecidas, mas não somos hipócritas e não aceitamos atitude contra democracia. Queremos o melhor para o Brasil e pronto. Esse é o verdadeiro trabalho da esquerda nacional – e não ficar preocupado com a hegemonia de um partido ou de outro.