Ciro Gomes fez a decisão mais certa da vida: candidatar-se para 2022

Ciro Gomes decidiu que será candidato a presidência em 2022. Essa é a melhor decisão que ele poderia ter tomado em toda sua vida. Será um candidato competitivo, pronto para antagonizar com as duas forças mais primitivas da política brasileira: a extrema-direita militarística de Jair Bolsonaro e o petismo, agora convertido em algo tosco – com apelo para parte do público, mas com uma rejeição ainda maior.

Primeiro, Ciro tem sido criticado fortemente pelos petistas por ter tirado férias durante o segundo turno e não ter ficado para “defender a democracia contra os perigos do fascismo”. Bom, petista não tem moral para criticar Ciro Gomes por isso. Foi a decisão de ter um candidato petista, tomada por Lula diretamente da cadeia, que fez com que o candidato Jair Bolsonaro se tornasse tão forte assim. Antes da disputa começar com Haddad, Bolsonaro tinha 23% de intenções de votos.

Mas o anti-petismo é a força política mais poderosa do Brasil, substituindo o próprio petismo nesta categoria – e bastou o Haddad aparecer carregando o nome “Lula” para que o Bolsonaro deixasse de ser um candidato de nicho e se tornasse um candidato muito competitivo. E o Brasil vai virar uma Venezuela, por conta da estupidez política desses dois extremos. Pode-se dizer que o PT criou o Bolsonaro, o alimentou e o fez desse tamanho todo.

Tanto que pouco se falou, durante a campanha, das propostas do candidato do PSL – a maioria das falas que pegaram, que fizeram a diferença e que eram compartilhadas eram um ataque ao PT e à figura do Lula, em particular – o lado autoritário de Bolsonaro completamente esquecido por conta. O PT saiu derrotado, pronto para perder aquilo que mais importa para eles: a hegemonia da esquerda brasileira.

O PT escorpião

Leonel Brizola, fundador do PDT e um dos maiores políticos do Brasil, chamava o PT de escorpião. O motivo era simples: ele nunca retribuiu o apoio fantástico que o PDT deu na campanha de 1989 – quando Brizola deixou de ir para o 2º turno por 0,5% e automaticamente endossou a candidatura do candidato petista, Lula, contra Fernando Collor. E este clima de traição é exatamente o que temos, novamente, imperando no “campo progressista”.

Ciro Gomes tentou viabilizar sua candidatura durante meses – e teve suas tentativas frustradas sempre por Lula, que direto da cadeia comandou um mensalão para reduzir o apoio da própria esquerda ao candidato Ciro Gomes. Cito duas ocasiões: quando sacrificaram a candidatura da Marília Arraes em Pernambuco (em nome de alguém que tinha votado no impeachment da Dilma, diga-se de passagem) para tirar o PSB de uma possível coligação com Ciro, e as tentativas de tirar o PP também de Ciro Gomes – que levaram o partido, e todo o centrão, para o colo de Geraldo Alckmin.

É do jogo? É do jogo. Mas me impressiona que o PT e o Lula sempre tentaram atacar primeiro seus companheiros de esquerda do que os adversários na direita. Preocupação com o país? Claro que não! A preocupação é única: MANTER O DOMÍNIO HEGEMÔNICO DA ESQUERDA BRASILEIRA. E é isso que entregou o Brasil para o Jair Bolsonaro. A cabeça dura do PT.

Haddad foi um grande erro

A eleição de 2018 provou o quanto o público está cansado do PT. Aí o partido faz um erro estratégico GROTESCO que foi ter um candidato próprio. Primeiro, começou com uma farsa – e não se engane, eles sabiam que era uma farsa – de que o Lula seria candidato. Isso deveria ser para fortalecer a imagem de que a prisão de Lula era injusta e fortalecer o partido no congresso. Mas travou a “frente progressista” em torno de um nome que nunca sairia para presidente.

Aí, o PT resolveu dobrar o erro. Vendo o rampante anti-petismo que tomou conta do país – com rejeição recorde de mais de 50% e caos social toda vez que se mencionava o nome “Lula” -, o PT optou por ter um candidato próprio. Ao invés de sair de cena, lançou Fernando Haddad, ex-ministro da educação e um profundo desconhecido da população brasileira (tanto que ganhou o apelido de “Andrade”). E isso já sabendo que qualquer candidato petista iria trazer uma reação extremada do povo.

E aí, triplicou o erro. Ao oficializar a candidatura de Fernando Haddad, criou uma burrice de falar que “Haddad é Lula”, inclusive com material de campanha que colocava o Lula no centro e santinhos onde o Lula era candidato (alô, Justiça Eleitoral?). Isso só fortaleceu uma coisa muito ruim para a candidatura dele: a imagem de poste. E, obviamente, trouxe toda a rejeição do Lula para o “Andrade”.

E como o PT tem a capacidade de ser o PT, cometeu o erro pela 4ª vez seguida: não permitiu que o candidato, ou a cúpula inteira, fizesse uma Mea Culpa de todos os erros que o partido cometeu nesses anos de governo. E escondeu o período inteiro de Dilma Rousseff. Isso é uma afronta a inteligência do povo brasileiro.

A imagem de Ciro Gomes sai fortalecida

Nesse cenário, Ciro Gomes apareceu. Sua candidatura foi um sucesso entre um grupo de vanguarda: a esquerda jovem e intelectual urbana. Praticamente 100% desse grupo assumiu a candidatura de Ciro Gomes, tanto que a internet se tornou território cirista (ao lado dos Bolsominions, claro). Esse grupo é muito importante para testar a aderência e força do candidato (foi o primeiro grupo que o PT converteu, anos atrás).

Nesse grupo, parece claro e cristalino o desgaste do PT, principalmente por ter governado o Brasil e cometido erros e excessos sem nunca ter feito uma única crítica a si mesmo – assistindo os principais líderes sendo presos, um por um, sem nunca falar um ai sobre os inúmeros casos de corrupção que cometeu, apenas mantendo o discurso que o PT é um partido perseguido politicamente, algo que não cola com a população brasileira.

Ciro Gomes mostrou que a esquerda pode ser muito mais equilibrada, menos bolivarianista, que o que o PT vinha pregando. Mostrou um projeto de desenvolvimento claro para a nação brasileira, sem deixar de lado o humilde e pobre trabalhador brasileiro, que viu seus direitos e emprego serem tirados nos últimos anos, no descalabro que foram os governos da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer. Um projeto nacionalista, forte, que deixaria grandes homens como Getúlio Vargas e Leonel Brizola orgulhosos.

4 anos de campanha

O projeto, porém, precisa ser explicado para o Brasil. Precisa ser debatido com a população brasileira e precisa ser levado para onde o candidato teve desempenho ruim. Ciro precisa passar esses quatro anos em campanha política, preparando-se para a eleição de 2022 – onde ele pode ser o candidato mais forte da esquerda. Ciro precisa garantir que o PDT se torne oposição de qualquer governo e o distanciamento do PT, agora associado com o que há de mais ruim na política brasileira.

O maior erro de Marina Silva é desaparecer por quatro anos, antes de aparecer em uma eleição. Um erro cometido depois das eleições de 2010 e 2014. Ciro Gomes não pode fazê-lo. Precisa ser muito atuante nesses 4 anos, manter-se na mídia e tentar influenciar o máximo de eleições à prefeito que puder (já sai na frente, com o apoio a Alexandre Kalil em sua reeleição ao governo de Belo Horizonte) em 2020. Ciro precisa unir a centro-esquerda e parte do centro em torno de si.

É necessário que ele saia em caravana pelo Brasil, que consiga conversar com o povo, principalmente aqueles de origem humilde, para mostrar que ele é uma opção de esquerda sem aqueles vícios terríveis que o PT tem. Ciro Gomes precisa dialogar com o brasileiro e mostrar que, sim, o Brasil tem solução para se tornar uma nação avançada e de ponta no Brasil.

E nós, militância, devemos trabalhar em torno do nome dele, destacando que ele é a melhor opção do Brasil. Só assim poderemos vencer a extrema-direita de Bolsonaro e a extrema-picaretagem do PT. Cuidado com os extremos! Em 2022 eu voto 12!